Machado de Assis: quem é e por que se tornou um dos escritores mais relevantes do Brasil?

Joaquim Maria Machado de Assis foi um dos maiores escritores da literatura brasileira de todos os tempos.

Além de nos presentear com livros clássicos, como, Dom Casmurroe Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi cronista, contista e poeta, com publicações em grandes jornais de circulação no Rio. Tendo se aventurado também, na dramaturgia, com a escrita de peças teatrais.

Boa parte dos brasileiros já ouviu falar de alguma de suas obras, seja pelas aulas de literatura na escola ou estudando para prestar o vestibular. Para além das formalidades exigidas pelo sistema educacional, a obra machadiana é de grande importância para a construção da memória e da identidade do país.

Através de textos regados a humor e ironia, Machado fazia críticas ao rumo da política e da sociedade burguesa, dialogando diretamente com o leitor e deixando sua mensagem nas entrelinhas. Como nesse trecho escrito em uma das crônicas da coletânea “Ao Acaso“:

“Um dos defeitos mais gerais, entre nós, é achar sério o que é ridículo, e ridículo o que é sério, pois o tato para acertar nestas coisas é também uma virtude do povo.”  (28 de março 1865)

Reflexões como essa, só confirmam que Machado de Assis foi um escritor à frente do seu tempo e completamente adequado para os tempos de hoje em dia, não é mesmo?

Um pouco sobre sua vida pessoal

Machado tinha tudo para dar errado! Nasceu no morro carioca no dia 21 de junho de 1839, era de família pobre, mulato, nasceu gago, míope e sofria de epilepsia. Mal frequentou a escola, quem dirá ir para a universidade.

Ascendeu socialmente pela intelectualidade e pelos interesses na boemia e na corte. Foi aceito nesses círculos sociais pois, além de ser considerado culto e elegante, ocupou cargos públicos no ministério da agricultura e do comércio. Nesse tempo, Machado começava a ganhar espaço nos jornais, publicando algumas de suas crônicas, o que lhe dava crescente notoriedade também.

Carolina Augusta Xavier de Novais, uma portuguesa de 32 anos, 5 anos mais velha que ele, foi quem ganhou seu coração. Mesmo contra a vontade da família dela (já que ele era mulato), casaram e viveram até sua morte. Carolina, assim como Machado, era uma mulher culta, apresentando a ele autores portugueses e ingleses renomados.

Carolina Augusta Xavier de Novais, esposa de Machado de Assis.

Não tiveram filhos, apenas uma cadela Tenerife. Segundo lendas, Machado era chamado de Bruxo do Cosme Velho, pois queimava cartas em um caldeirão, em sua casa localizada na rua Cosme Velho.

Lenda urbana? Talvez não, pois onde há fumaça, há fogo, meu caro!

Como e porque ganhou fama ainda em vida

Ao contrário de muitos artistas que fizeram sucesso em suas memórias póstumas, Machado de Assis fez seu nome ainda em vida!

Era um híbrido entre literário e jornalista. Junto com José de Alencar, inaugurou a crônica no Brasil, escrevendo para jornais como, o Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro e a Gazeta de Notícias. Acompanhava as sessões do senado e discorria suas crônicas de forma irônica, sutil e bem-humorada sobre tudo o que observava nas plenárias.

Iniciou a publicação de suas obras literárias em 1864. Com características românticas, a obra Crisálidasfoi a primeira dos dez romances publicados pelo escritor, que tinha por hábito, publicar um livro a cada 2 anos.

Além dos dez romances, publicou duzentos contos, dez peças teatrais, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas.

Principais obras de Machado de Assis.

Em 1881, mais velho, longe de ser aquele jovem idealista de antigamente e com um tom predominantemente cético, lança a conhecida obra Memórias Póstumas de Brás Cubas.

A partir daí, torna-se o pai do realismo brasileiro, que nada mais é que um movimento contrário ao romantismo, com a crença no real, nos fatos e nas teorias cientificistas.

Machado passa a usar uma lógica narrativa que coloca o pensamento ao longo dos textos. Carregado de ironia e humor, deixa mensagens nas entrelinhas, criticando preconceitos, a sociedade burguesa e o sistema de classes sociais, sempre dialogando diretamente com o leitor.

Depois da inauguração do realismo com Memórias Póstumas, publica outras obras com o mesmo estilo literário, como Quincas Borba,Dom casmurro,Esaú e Jacóe Memorial de Aires(esse último, publicado no ano de sua morte).

Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras(ABL), em 1897, que tinha e tem até hoje o objetivo de cultivar e preservar nossa língua e a literatura nacional.

Para além do número de obras publicadas e da fundação de uma instituição tão importante, como a ABL, Machado de Assis fez parte de fatos importantes na história do país.

Presenciou, observou e escreveu sobre episódios que marcaram nossa história, como a abolição da escravatura, proclamação da república, industrialização e modernização dos grandes centros urbanos.

Sob a influência das crescentes teorias cientificistas, como as de Charles Darwine tendo se inspirado em grandes escritores como Shakespearee Schopenhauer, foi grande influenciador de seus leitores também.

Dos mais aos menos abastados, a sociedade brasileira dos séculos que se seguiram não seria mais a mesma, sem ele, um dos maiores escritores de todos os tempos, se não o maior!

Sobre sua morte

Nos anos que se aproximaram da sua morte, Machado ficava constantemente doente. Tinha uma saúde muito frágil, visão comprometida e constantes crises de epilepsia.

Morreu no dia 29 de setembro de 1908, aos 69 anos, na casa do Cosme Velho, cercado de amigos e de homenagens da ABL e de jornais famosos do Brasil e de Portugal.

Seus restos mortais estão no Mausoléu da Academia, junto com o de sua esposa e de nomes como, Darcy Ribeiroe Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

Em homenagem aos 110 anos da morte do escritor, a Enos Vinhos de Boutiquelançou o Enos Machado de Assis Reserva, onde disponibiliza gratuitamente através do QR Code no contra-rótulo da garrafa o acesso a obra completa do autor, através do projeto Vida e Obra de Machado de Assis.

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Enos Machado de Assis Reserva.

Essa edição faz parte de um projeto da Vinícola Enos, que se chama Engarrafando Livros, onde homenageia os grandes escritores mundiais.

Afinal, nada como uma boa leitura, acompanhada de um bom vinho, não é mesmo?

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E você? Já teve a oportunidade de ler alguma das obras de Machado de Assis? O que achou? Compartilha com a gente, será um prazer ouvi-lo 😉

O texto acima é de autoria de Aníbia Machado, produtora de conteúdo, licencianda em história, entusiasta de antropologia e viagens culturais.

 

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